
Depois de sete anos, aquela seria a primeira viagem à sós de Joana e Pedro. Em direção à Paraty, erraram o caminho. Retornavam à cidade onde nove anos antes haviam chegado pela mesma estrada em que, depois, regressaram a São Paulo: o caminho do ouro. As curvas e trechos estreitos que por vezes permitiam a passagem de um só veículo continuavam as mesmas. Porém, terra e lama tinham dado lugar ao asfalto no trecho paulista e a paralelepípedos no trecho carioca. A estrada era a mesma, mas o progresso era evidente.
Chegando à cidade avistaram o porto e a igrejinha. Lembraram-se da foto feita no passado. Encontraram a charmosa pousada no centro histórico onde se hospedariam. Admiraram as paredes originais, construídas com pedras e argamassa de óleo de baleia e mariscos moídos. Sólidas e capazes de resistir a um incêndio. Foram recebidos com água aromatizada com anis e sandálias Havaianas, puderam então relaxar após quatro horas de estrada.
Tomaram um banho e decidiram caminhar pelas ruas. Matavam a saudade de um lugar que nunca haviam sentido falta. A cidadela de casinhas coloniais brancas com molduras de janelas e portas muitas vezes azuis e por hora multicoloridas. O calçamento de grandes pedras que tornavam o passeio e a contemplação um desafio. A noite de ruas cheia de turistas, carrinhos de doces e música.
Ainda saudoso dos filhos, Pedro quebrou o silêncio e a contemplação e virou-se para Joana:
– Havia me esquecido de como é bom viajar à sós com você.
– Ás vezes é preciso não fazer nada para poder enxergar tudo – respondeu ela.
