
ano sabático
- cada sétimo ano em que, segundo a lei mosaica, os antigos Hebreus suspendiam os trabalhos do campo, não pagavam tributos e não cobravam dívidas (infopédia)
- ano em que periodicamente, de sete em sete anos ou com outro intervalo, os professores universitários interrompem a sua atividade docente para se dedicarem livremente a pesquisas (infopédia)
Desde que entrei na faculdade de administração em 1995 sempre trabalhei. Comecei como consultora na empresa júnior logo no primeiro semestre. Depois fui monitora de matemática financeira, fiz iniciação científica, estágio na prefeitura de São Paulo e na Chandon do Brasil, que no final de 1999 virou meu primeiro emprego de carteira assinada. Portanto, de 1995 a 2006 além de trabalhar, estudei. Da faculdade emendei a pós-graduação e na sequência o mestrado. Foram anos intensos, de muito crescimento e aprendizado. Em 2009 pela primeira vez registrei numa planilha que tenho da minha vida a intenção de fazer um sabático. Sim, coloco minha vida numa planilha de Excel. E todo ano reviso meu ano, minhas metas e me planejo para os anos que virão. Desde então todo ano, o sabático está lá nos planos e metas de médio e longo prazo. Em 2014 durante o curso A New Path: Setting New Professional Directions essa ideia veio mais forte. Em 2015, antes de aceitar a proposta para fundar a Yandeh, o plano original era o sabático. Tirei 2 semanas de férias sem meu marido e família para testar a ideia. Coloquei na agenda um monte de tarefas domésticas. Quando meu marido chegava do trabalho cheio de histórias e novidades eu esbravejava que só havia feito coisas chatas. Não deixava as crianças desarrumarem nada que eu havia organizado. Quase enlouqueci a mim e a minha família. Desisti. Não estava preparada.
Na verdade, a ideia de parar de trabalhar, mesmo que só por alguns meses, sempre me aterrorizou. Fico pensando que nunca mais me recolocarei no mercado de trabalho. Que não terei dinheiro para minha velhice. Que não terei assunto com meu marido. Que deixarei de ser uma pessoa interessante. Além disso, não tenho a mínima vocação para ser madame. Sou pão dura, odeio shopping, não gosto de salão de beleza, sou uma negação para trabalhos manuais e artísticos, meus filhos já ficam na escola praticamente o dia todo. Então, um sabático para quê?
Para desenvolver a disciplina da escrita, meu sonho de infância. Para estudar, para experimentar coisas novas, para encontrar meus amigos, para devolver ao mundo o que o mundo me deu. Para receber meus filhos quando chegam da escola. Para brincar. Para ler, para meditar, para viajar. Para ir ao cinema na segunda feira à tarde. Para arrumar os armários, fazer a reforma, mudar de casa. Para perder os medos, de não trabalhar, de não ganhar, de só gastar. Para me jogar no vazio e empreender. Para não fazer nada. E para fazer do nada, tudo.
Ps:
Digo que viverei mais de 100 anos e que até pelo menos 90 gostaria de manter um trabalho produtivo e contribuir para o mundo. O vídeo abaixo me inspirou a ver nosso tempo de trabalho e aposentadoria de outra forma:
https://www.ted.com/talks/stefan_sagmeister_the_power_of_time_off
Fontes:
https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/sab%C3%A1tico
https://en.wikipedia.org/wiki/Sabbatical
http://meetplango.com/sabbatical/
