Austrália

Nunca senti curiosidade em conhecer a Austrália. Até que há alguns anos decidimos ter uma experiência de família fora do Brasil. Gostaríamos que fosse em um país de língua inglesa para facilitar a adaptação de nossos filhos, que já estudam o idioma. Os Estados Unidos e a Inglaterra já conhecemos. Dos países em vista restavam as opções do Canadá, onde estivemos em 2016, e da Austrália e Nova Zelândia. Viajamos entre dezembro/2017 e janeiro/2018, verão por lá. Planejei a viagem com bastante antecedência e com a ajuda de uma agência de viagens. Houve vários trechos de avião e não queríamos dirigir na mão contrária. Pensamos em fazer Austrália e Nova Zelândia, uma vez que ambas são literalmente do outro lado do mundo. Porém a Austrália é tão grande e diversa que preferimos nos concentrar nela.

Em 18 dias passamos por Sydney, Melbourne, Gold Coast e Orpheus Island, uma ilha na barreira de corais entre Townsville e Cairns.

A viagem é longa, 4 horas até Santiago, troca de avião e mais 14 horas até Sydney. Saímos do Brasil dia 24/12 cedinho e passamos o Natal no avião. Os voos no Natal e Ano Novo normalmente são mais baratos. Chegamos a Sydney dia 25/12, final do dia. Impossível também não sofrer para se adaptar às 12 horas de fuso. Demoramos uns 5 dias para conseguir dormir a noite toda na ida e na volta.

Sydney é a maior cidade australiana, com pouco mais de 5 milhões de habitantes. A Austrália, apesar de pouco menor que o Brasil, tem praticamente a população da grande São Paulo. Por isso, os lugares mais lotados passam longe da agitação das grandes cidades no Brasil, Estados Unidos ou Europa. O que sinceramente, adoramos.

Ao chegar no transfer eu observava atentamente as ruas. Tentava buscar referências nos lugares que conhecia. Há um quê de Inglaterra na Austrália. Bem leve. Dado que o país foi colônia. Entretanto, a verdade é que não consegui referências fortes. A Austrália é um país muito jovem, constituído em 1901 quando as colônias através de um referendum se uniram. Tudo é moderno e com uma história muito recente. A Sydney que conheci é a mesma do ano novo na TV ou do filme Nemo.

A cidade apesar de já cheia para o Ano Novo estava com seu centro financeiro, escritórios comerciais e bolsa todos fechados. Muitos Australianos viajam entre Natal e Ano novo, assim, as grandes cidades ficam muito tranquilas, dadas as devidas proporções do número de habitantes, o equivalente a São Paulo nos feriados. Em Sydney visitamos o zoológico, fizemos um city tour com direito a famosa Bondi beach, um passeio de barco e um dia pela Blue Mountains. A Blue Mountains não foi unanimidade na família. É um passeio de dia todo. Talvez teria valido mais a pena aproveitar os parques e museus em Sydney. Valeu apenas pela parada no Featherdale Wildlife Park onde as crianças puderam ter seu primeiro contato próximo com cangurus, coalas, diabo da tasmânia e outros típicos animais australianos. As leis de contato com os animais na Austrália são estaduais. Em New South Whales, onde fica Sydney, pode-se tocar e alimentar os animais. O mesmo não ocorre nos estados de Victoria (Melbourne) e Queensland (Goald Coast). Então, se desejarem uma aproximação maior com esses simpáticos animaizinhos, Featherdale é uma ótima opção.

Featherdale

Ficamos impressionados com as leis e o civismo Australiano. É proibido fumar nas ruas. Existem poucos e restritos espaços para fumantes. Também é proibido beber em locais públicos, apenas em bares e restaurantes com horários restritos. Isso faz uma diferença gigantesca nos ambientes. Até as crianças perceberam a limpeza das cidades e a pureza do ar.

Uma descrição de Bondi. Imagine uma praia bonita como Ipanema. De areia branquinha e de grande extensão. Cheia de gente. Agora imagine-a sem música alta, sem ninguém fumando, bebendo ou vendendo coisas. Alguns a achariam muito chata e sem graça, nós encontramos o paraíso. Ah, nessa praia é permitido topless. Então não se assuste ao ver peitinhos e peitões de fora.

Bondi beach

De Sydney fomos para Melbourne. Um voo de uma hora e meia. Em Melbourne fizemos um city tour embaixo de chuva e frio. Apesar do tempo ruim, o guia Carlos, um simpático Colombiano apaixonado pela Austrália e pela cidade, nos contou muitas histórias e nos brindou com um delicioso doce e café no italiano Brunetti.

No dia seguinte percorremos parte da Great Ocean Road. Um passeio de cerca de 12 horas. Bastante cansativo, mas que vale a pena. Antes de chegar na costa avistamos na natureza um bando de cangurus vermelhos, os maiores e mais agressivos, livres pela natureza, como bois a pastar. Também paramos num lugar onde pássaros coloridos e pouco menores que papagaio, os Australian king parrots, vinham comer em nossas mãos e pousar em nossos corpos, e onde dois tranquilos coalas dormiam numa árvore. A estrada e as cidadezinhas costeiras são encantadoras e os 12 apóstolos são impressionantes. Numa costa escarpada, de areia em tons amarelos, alaranjados e marrons. Surge no oceano, em meio a fortes ondas, estátuas de até 50 metros de altura, o equivalente a um prédio de cerca de 30 andares, esculpidas pela água e pelo tempo. Dos 12 apóstolos iniciais restam apenas 8, uma vez que 9 foram abaixo em 2005. Uma obra prima da natureza. Sem dúvida o lugar mais cheio de turistas que visitamos. Para ter uma visão ampla e fazer uma boa foto você irá acotovelar-se com cerca de 10 mil indianos, chineses e demais turistas que chegam a passar por lá diariamente.

Great oceanNo último dia do ano de 2017 passeamos pelo Yarra valley. O vale do rio Yarra que se estende por cerca de 90 quilômetros a leste de Melbourne e é uma região de produtos agrícolas, em especial vinhos e lácteos. O local de clima ameno ao amanhecer e entardecer e quente e ensolarado ao meio-dia produz vinhos de alta qualidade, em especial chardonnay, pinot noir e espumantes. Por lá visitamos a vinícola Dominique Portet, de uma família francesa da região de Bordeaux que se instalou na área em 2.000 e produz vinhos de alta qualidade. A Yarra Valley Chocolaterie & Ice Creamery, uma fábrica e loja de chocolates de arquitetura moderna e colorida instalada numa colina e cercada por árvores frutíferas. Nesse paraíso dos chocólatras é possível degustar os vários tipos de produtos e apreciar a bucólica vista de seu exterior. Outro lugar que visitamos foi o Yarra Valley Dairy, um produtor de queijos e derivados de vaca e cabra. A loja fica instalada num  celeiro antigo. O atendimento é atencioso e também com degustação. Aproveitamos a parada e compramos queijos para nossa ceia de Reveillon. Almoçamos na Vinicola Tokar Estate, uma vinícola nada especial, mas com uma gostosa cozinha mediterrânea e um restaurante cercado por lindas roseiras e vinhas.  Um dia tranquilo e delicioso

Yarra

Nosso ano de 2018 começou livre por Melbourne. A cidade plana, pouco verticalizada e cheia de parques, é um convite a caminhada. Saímos de South Yarra, um bairo nobre e em ascenção imobiliária com muitos apartamentos estilo art deco e mansões estilo vitoriano bem preservadas de 1847. O local é um excelente ponto de estadia uma vez que abriga boutiques, galerias de artes, restaurantes e bares bacanas. Após atravessar o bairro, passamos pelo jardim botânico, onde apreciamos a natureza e tomamos um sorvete. De lá, fomos ao centro e até a biblioteca de Victoria, que a Lara havia estudado na escola através de uma visita virtual, mas por ser o primeiro dia do ano encontrava-se fechada.

Melbourne

Talvez, e fica aqui a dúvida entre Melbourne e Sydney, qual foi nossa cidade preferida. Melbourne é cheia de cultura, com muitos museus e teatros. Mesmo com 4,7 milhões de habitantes tudo é muito limpo e tranquilo. As pessoas são atenciosas e amigáveis. Ninguém parece correr, todos andam. Fica evidente porque a cidade tem sido continuamente eleita como uma das melhores do mundo para se viver. Entretanto, Sydney tem seus encantos na arquitetura moderna das pontes e da ópera e nas suas praias e baias. É uma cidade mais agitada, mais urbana e ao mesmo tempo acolhedora e calorosa.

Depois de 2 cidades grandes chegaram os dias das crianças. Fomos de Melbourne para Gold Coast. 2 horas de voo. Mais especificamente para Surfers Paradise. O equivalente a Orlando da Austrália. Ficam lá vários parques e atividades para famílias. A praia é para os surfistas. Uma vez que o mar é bem agitado e que só é permitido nadar entre bandeirinhas ao alcance dos salva-vidas. Por lá visitamos o Wet n Wild, Sea world e Movie World que foram nessa ordem os preferidos pela Lara (7anos) e o Davi (5 anos). Ainda tínhamos ingressos para o Currumbin Sanctuary. Acabamos não conhecendo, provavelmente teria sido uma melhor opção que o Movie World onde as crianças não puderam ir em várias montanhas russas pela altura. Os animais estão por toda parte da Austrália, fazem parte de praticamente todos os passeios, em parques ou mesmo na natureza. Por isso passados 10 dias as crianças já não tinham mais a mesma empolgação para eles.Sea world

Finalmente, depois de tanta badalação eu havia planejado 4 dias de descanso na barreira de corais. Num blog havia lido sobre Orpheus Island. Uma ilha bastante exclusiva. Meu marido tinha sugerido trocarmos de lugar pelo valor salgado. Mas decidi seguir minha intuição e dar de presente a nossa família essa experiência. Foi sensacional e perfeito. Esse lugar desconhecido até aos próprios Australianos, falamos com 4 que a desconheciam, é o paraíso. Em meio a águas verdes e azuis claro, areia branquinha e uma vegetação exuberante, surgem um píer e bangalôs na sua costa. A recepção é digna da “Ilha da fantasia”. Com direito a drinks, toalhinhas refrescantes e conversas com a staff sobre passeios e alimentação. A cozinha é um show à parte. Do café da manhã saudável ao jantar em quatro tempos passando por almoços estilo tapas temáticos mexicano, japonês e chinês nos dias que estávamos por lá. Da areia da praia vê-se diversas raias e tubarões bebês. Do píer é possível ver um bacalhau enorme apelidado de Tom que se aproxima toda vez que se fica parado lá por alguns instantes. Com ajuda de um peixinho ele vem comer na mão dos tratadores, como um cachorrinho que vem ao ser chamado para o biscoito. As crianças enlouqueceram. Afinal, não é sempre que se pode ter um peixe enorme de animal de estimação. Foram ao píer todos os dias apenas para vê-lo aparecer e dizer oi. Com poucos minutos de barco mergulha-se em corais cheios de vida e cores. Terminamos a viagem com chave de ouro. Descansados e re-energizados para 2018.

Orpheus

Adoramos a Austrália. O melhor da cultura e educação de primeiro mundo com clima tropical. Sem dúvidas voltaremos. E até agora o top 1 para nossa experiência de vida fora do Brasil.

Tubarao

Obs. Mesmo no verão Melbourne e Sydney são frescas à noite. E na Gold Coast as temperaturas ficaram entre 30 e 20 graus. Usamos casacos à noite em praticamente 2/3 de nossa viagem.

Obs 2: Lara e Davi fazem longas viagens conosco desde 1 ano. Estão acostumados a ficar longe de casa. Ambos amaram as férias e não se importaram com as horas de aeroporto e avião. E foram os que primeiro se adaptaram ao fuso.

 

Agência de viagens no Brasil: https://letviagens.com.br/

Hotéis que recomendamos:

Melbourne – http://www.thelyall.com/

Barreira de Corais: http://www.orpheus.com.au/

Passeios e guias que adoramos:

Barco pela Baia de Sydney: http://www.sensationalsydneycruises.com.au/

Agência do Carlos em Melbourne: https://www.melbourneuniquetours.com/

Yarra Valley: http://www.oceaniatours.com.au/tours/

https://www.timeout.com/melbourne/travel/the-best-yarra-valley-wineries

3 comentários

  1. Adorei o tecó Flavia, bem escrito e explicativo. Servirá de referência parais que quiserem vó Hecht um pouquinho ho da Australia. As fotos estão ótimas. Parabéns!

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  2. Flavia boa noite!

    Tenho uma filha de 5 anos.

    Em Gold Coast, você achou o dia do Wet & Wild e Sea World muito corrido?

    Você acha que ficar 5 noites e 4 dias em Orpheus é muito?

    Obrigado

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    1. Oi Jacques! Na Gold Cost recomendo um dia inteiro para o Wet&Wild e outro para o Sea World. O W&W fica mais afastado da praia e demora mais para chegar. Acho adequado o tempo em Orpheus Island. Por não termos programado com antecedência, não fizemos, mas gostaríamos de ter feito o passeio de barco pela barreira de corais. Reserve para ele o dia todo. O pagamento é a parte. O hotel tem vários passeios incluso na diária. Fizemos um snorkling, o barquinho com pic nic e eu fiz a caminhada pela ilha. Adoramos todos eles.

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