
Dia 2 de julho de 2018, segunda-feira de jogo do Brasil, oitavas de final da Copa, completei meu terceiro mês de sabático. Se o segundo foi o mês de desacelerar, este foi o da encruzilhada. Um mês de decisões. Tive algumas conversas que me colocaram entre a a espada e a parede. Precisei decidir entre seguir o sabático ou me comprometer com algo. Optei por continuar meu sabático de experimentações.
Segui o ritmo mais relaxado do segundo mês. Finalizei o projeto que estava fazendo, continuei encontrando amigos queridos, participando de eventos e da vida dos meus filhos. Almocei com eles na escola e assisti a primeira troca de faixa do tae-kwon-do.
Tenho conseguido ler e escrever. A leitura desse mês foi um presente delicioso que ganhei do Márcio Hamano na minha despedida da Yandeh. O livro Sobre a escrita, de Stephen King. Jamais gostei de terror, sou daquelas que fecha os olhos ao tilintar de acordes de suspense. Portanto, confesso que não tinha nenhuma participação nos mais de 60 títulos e 350 milhões de livros que o rei do terror, como é conhecido, vendeu. Também achava que nunca havia visto um filme baseado em suas histórias. Fui pesquisar e descobri que sim, pelo menos sete, sendo que três estão entre meus filmes preferidos: Um sonho de liberdade, A espera de um milagre e Conta comigo. Nenhum deles parte do hall de terror, o que também mostra a versatilidade e o talento de King.
Sobre a escrita não é um livro só para quem gosta e quer escrever, é um livro de certa forma autobiográfico e cômico em que o autor conta tanto sua relação com o processo de escrita como cenas de sua vida e como ela está relacionada a sua obra. Na primeira parte, currículo, King de forma descontraída e lúdica conta sua jornada desde criança como escritor. Começando nos primórdios de sua infância, antes mesmo de saber ler e escrever, e terminando nos anos em que se debateu com seus vícios e como se livrou deles.
A segunda parte, sobre a escrita, é a mais técnica. Nela, ele discorre sobre seu método e o que julga fundamental para um bom escritor. Gramática, diálogo, tema, descrições (mostrar ao invés de contar), símbolos, revisão, pesquisa, enfim tudo que meu querido VM (venerável mestre), Paulo Nogueira, escritor e professor, já havia me ensinado. A propósito, não espere que lendo o livro se tornará um escritor. Escrita é prática. Recomendo um curso onde você possa aprender as técnicas, testá-las e receber feedback. A parte final, sobre a vida: num post-scriptum, King conta sobre o acidente que quase o matou quando escrevia o livro e o quanto a escrita fez parte de seu processo de cura. É, sem duvida, um final emocionante. De extras e bônus uma lista extensa de livros que o autor indica. Ao terminar de ler o livro, King ganhou não só uma leitora, como também uma admiradora. Continuarei a passar as histórias de terror, mas aguardo ansiosamente outros gêneros que venham por aí.

Quero também destacar e recomendar mais uma experiência saborosa desse mês, um almoço com uma amiga no restaurante Balaio, no térreo do IMS (Instituto Moreira Salles). O local é do chef Rodrigo Oliveira, que há anos faz sucesso com seus Mocotó e Esquina Mocotó na Vila Medeiros, Zona Norte (ZN) de São Paulo. Dessa vez Rodrigo saiu da ZN para a central Avenida Paulista. O espaço de portas de vidro, paredes e pisos de cimento queimado, longo bar alaranjado decorado por lustres de balaios de palha de diversos tamanhos, mesas comunitárias, redondas e individuais, é palco das deliciosas comidas e bebidas inspiradas na culinária brasileira, com destaque especial para a nordestina. Comi um saboroso peixe do dia com um refrescante gin tônica do sertão. Vale a visita. Acho que foi a primeira vez, durante dias da semana e sem estar de férias, que me permiti tomar uma bebida alcoólica no almoço.

E esse mês seguiu assim, teve festa junina, pintura da Copa na rua em frente a Igreja, jantar de aniversario no meu restaurante preferido em São Paulo, o Emiliano, passeio por espaços de empreendedores, visita a Casa Cor, tarde de autógrafos do segundo livro de poesias do Hendrik Franco, amigo da nossa familia, na Fundação Ema Klabin com direito a visita a casa e museu. Fechando o mês com jogo da copa, Brasil vs México, no cinema com Davi e narração do meu irmão Gustavo Villani, locutor do Sportv e da Globo. Experiências que só um sabático poderia me proporcionar.
Nunca estabeleci um tempo para minha sabatina. A duração será estipulada por minha intuição ou pelo fim do montante financeiro que guardei. Já começo a sentir falta de uma vida mais estruturada, porém com a certeza de que ainda não usufrui completamente do tempo que me dei de presente. Por isso a decisão de seguir em frente.
Interessante que, escrevendo agora, quase três meses depois, percebi que duas das minhas melhores aventuras sabáticas nasceram nesse terceiro mês. O Intent, experiência de agosto e viagem a Andaluzia em setembro. Não percam os próximos textos. Até mais!

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