
Há uns dois meses num encontro de grupo do curso de empreendedorismo da PWN uma colega afirmou:
– Eu não sou criativa.
– Todos somos criativos, Fernanda. Respondi.
– Como você sabe disso? Ela perguntou intrigada.
– Observando meus filhos, entendi. Pensei eu enquanto seguíamos a discussão.
Proponho um experimento. Deixe uma criança de até uns 8 anos sem celular, IPad ou TV. Melhor, literalmente sem nada para fazer. Entediada. Se for como meus filhos, ela irá reclamar e esbravejar. Ignore. Passados alguns minutos garanto a você que não ouvirá mais a voz dela. Ela estará brincando ou inventando alguma coisa. Provavelmente estará tão entretida que não escutará se você a chamar. Se as crianças estiverem em grupo, pode até ter celular, IPad ou TV, elas vão embarcar numa história e viver aquela fantasia como se fosse de verdade.
Harari em Sapiens afirma: “O homo sapiens é o único animal capaz de cooperar de forma flexível em largo número e o faz por ser a única espécie capaz de acreditar em coisas que não existem na natureza e são produtos puramente de sua imaginação”. Se a criatividade é um fator de diferenciação da espécie humana, existiriam pessoas privilegiadas com esse dom e outras não? Ou será que perdemos ou limitamos essa capacidade à medida que vamos crescendo?
Na verdade, meus filhos foram a chave para a redescoberta da criatividade em mim mesma. Um processo que já vem acontecendo há mais de 4 anos. Por isso respondi a Fernanda com tanta certeza. Eu também não me achava criativa. Quando criança minhas piores notas eram de educação artística e desenho. Nunca fui habilidosa manualmente. Aliás, sou um desastre. Vivo me batendo e caindo. Entretanto, a criatividade não é só artística. Ela existe de várias formas. A minha arte é escrever. E isso desde pequena eu sempre gostei. Adoro olhar as pessoas na rua e inventar histórias para elas. Brincar com as palavras e criar poesias. Porém, esse meu dom criativo andava um tanto esquecido.
Em abril de 2014, num curso executivo que fiz A New Path: Setting New Professional Directions, um dos pre-work era ter uma ideia de negócio. Naquela época, foi a tarefa mais difícil para eu completar. No começo as ideais não vinham. Depois eu as achava terríveis e as matava antes mesmo de nascerem. No final consegui ir com um esboço. No grupo minha ideia não foi a escolhida para ser apresentada. Ela ainda era tímida e pouco consistente. Aquele foi o primeiro exercício, o começo do destravamento da minha criatividade. O curso tinha um conteúdo grande de empreendedorismo. O quê até aquele momento eu achava coisa de maluco. Foi lá, durante o curso, talvez embebida de liberdade criativa e exemplos inspiradores que meu sonho de criança, ser escritora voltou com força total. Em quase 30 anos foi a primeira vez que me permiti sonhar novamente. Para quem em 2007 tinha ouvido de um colega de trabalho: “você não tem sonhos, você tem planos”, aquele era um grande primeiro passo.
Em fevereiro de 2015, quando meu sócio investidor me chamou para fundar a Yandeh. Ele me perguntou com o que eu sonhava. O que eu gostaria de construir. Respondi: eu não tenho ideais ou sonhos. Achei aquilo triste, mas era o que acreditava naquele momento. Começamos então a estruturar e executar o sonho dele. E, nessa jornada a minha criatividade vem sendo resgatada. Quando você se cerca de empreendedores, sonhadores, visionários. A vergonha começa a ir embora e as ideias começam a surgir. Você passa a ver soluções onde outros veem problemas.
Comecei o curso de escrita no Barco no segundo semestre de 2015. Em 2016 começaram a nascer meus melhores textos. Até agosto de 2017 fiz aulas e escrevi todos os meses. Em julho este blog nasceu. A prática aperfeiçoa e liberta o processo criativo.
Há cerca de três meses, assistindo um vídeo da Paola Carrosela na Endeavor veio uma ideia de um co-cooking com uso de tecnologia. O projeto estava pronto na minha cabeça. Já falei para várias pessoas. Aquele dia me dei conta de que a minha criatividade estava libertada. As ideias surgem como inspiração e já não podo meus pensamentos. E assim eles nascem e vão se aperfeiçoando.
Hoje através de minha própria jornada e observando meus filhos acredito que todos somos criativos. Uns para negócios, outros para artes, histórias e culinária. Basta nos permitimos ser.
Recentemente, chamei a Fernanda para me ajudar em uma missão com um empreendedor. Ela tem uma empresa de eventos. O briefing era difícil e o orçamento curto. Dias depois ela volta não com uma, mas com uma série de propostas. É Fernanda, acho que você encontrou a sua criatividade.
Para se inspirar e libertar a criatividade:
https://www.ted.com/talks/manoush_zomorodi_how_boredom_can_lead_to_your_most_brilliant_ideas
https://www.youtube.com/watch?v=Cq_OBKFS-as
http://museudaimaginacao.com.br/
E para quem quiser conhecer a empresa da Fernanda e a PWN, professional women network:

Eu disse iria vir aqui ver seu blog, e por acaso o primeiro texto que eu li foi sobre a criatividade. Foi muito legal ver a experiência que você passou e lembrou quando eu contei um pouco sobre mim, agora tenho uma nova visão sobre a criatividade e pretendo fazer ela aparecer e florescer com mais frequência.
Muito obrigada por aquele dia, eu sai de la me sentindo muito feliz, de uma forma que eu nao sei nem explicar.
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